Pregações

O CRISTÃO E A POLÍTICA 2





Doutrina Agamenom Pr.Elimas Gedeon Nc48498 Provérbios 28.12 26052016 Art: anônimo

INTRODUÇÃO

O cristão, ao aceitar a Cristo, torna-se cidadão dos céus, com direito a morar na santa cidade, na Jerusalém celestial. Entretanto, enquanto Jesus não vem, continua vivendo no mundo e, enquanto aqui está, é um cidadão da terra e, como tal, inevitavelmente, acaba se inserindo no contexto político.

II. O CRISTÃO COMO CIDADÃO NA TERRA
Embora passe a ser filho de Deus e, por conseguinte, cidadão nos céus, o cristão continua vivendo no mundo(Jo.17:11-18), até porque é necessário que esteja no mundo para ser embaixador do reino de Deus na terra. Assim, necessariamente, o cristão deve participar do dia-a-dia da vida da sociedade onde vive e este cotidiano envolve a atividade política que, como vimos, está presente em todas as ações sociais.

a) Cumprir com seus deveres- Jesus, embora fosse o Filho de Deus, não deixou de cumprir com seus deveres cívicos, seja como israelita(Mt.5:17), seja como indivíduo sob o jugo romano(Jo.18:38). No episódio do pagamento do tributo que cobraram de Jesus mediante questionamento a Pedro, isto ficou bem claro(Mt.17:24-27).
Neste sentido, pois, todo cristão, como imitador de Cristo (ICo.11:1; I Pe.2:21), deve também ser um cidadão exemplar, cumprindo as leis, logicamente as que não ofenderem a cidadania celestial e, entre as leis, está a que impõe como dever o de participar da escolha dos governantes: o direito e dever do voto.

b) Exercício do voto - É através do exercício do voto que são escolhidos os governantes num país democrático, como é o Brasil, não podendo, pois, os servos de Deus omitirem-se de votar e escolher os governantes, porquanto tal gesto será fazer sempre triunfar pessoas descompromissadas com a Palavra de Deus. Se os cristãos se omitirem, certamente que os candidatos aos cargos públicos serão sempre pessoas que não farão a mínima questão de apresentarem programas e planos de governo que tenham pontos e premissas concordantes com a doutrina da Palavra de Deus, pois, diante da omissão dos cristãos, tal observância não se fará necessária. A conseqüência será, sempre, a subida ao poder de governantes que farão o que não é agradável a Deus e a história de Israel está repleta de exemplos do que acontece com a nação que é governada por este tipo de gente.
O cristão deve fazer o bem, como o seu Senhor(At.10:38), e, neste bem, está o de participar da escolha de pessoas que, ao governarem nossa sociedade, tenham, pelo menos, temor a Palavra de Deus ou a seus preceitos. A democracia é isto, como deixou claro o presidente norte-americano Abraham Lincoln que definiu a democracia como o "governo do povo, pelo povo e para o povo".

c) A condutas dos candidatos- O cristão, enquanto eleitor, deve analisar as propostas e as condutas dos candidatos, de modo a verificar se são pessoas comprometidas com a Palavra de Deus ou que demonstram ter respeito e observância por preceitos bíblicos. O cristão deve examinar tudo o que se passou na vida do candidato, suas palavras, seus gestos e atitudes ao longo de sua história, bem como verificar se suas promessas têm fundamento e são factíveis, ou se somente são manifestações demagógicas e conversas levianas, que buscam engodar e enganar o eleitor. Devemos examinar tudo e reter o bem(I Ts.5:21). Se se tratar de um candidato que seja servo de Deus, esta análise deve ser ainda mais cuidadosa, devendo ser destacada a vida espiritual do candidato e o propósito de Deus na sua vida.
- O cristão, enquanto eleitor, deve verificar os candidatos à reeleição e observar o que fizeram pela população, como se comportaram diante das grandes questões e temas que surgiram durante o seu mandato e se suas atitudes e decisões estão de acordo com a Palavra de Deus(Pv.18:17). É precisamente aqui que se encontra a maior falha de nossa democracia, pois as pessoas costumam dizer que os políticos somente aparecem na hora da eleição, o que é uma triste realidade, mas, também, os eleitores só pensam no assunto na proximidade das eleições, sendo rotineiro encontrar pessoas que nem sequer se lembram em quem votaram na eleição anterior.
O resultado disto é que os políticos, uma vez eleitos, não são acompanhados nem fiscalizados pela população e, assim, estão livres para fazer o que bem entenderem e, quatro anos depois, aparecerem com suas promessas e engodos, que seriam, facilmente, desmascarados se houvesse acompanhamento. O cristão deve ser pessoa prudente e que, no silêncio de sua observação, faça um profundo julgamento e exame das atitudes do candidato que elegeu.

d) Oferta de vantagens e fiscalização - No momento de escolha dos governantes, o cristão deve repelir e rechaçar veementemente aqueles que buscam comprar seu voto, oferecendo vantagens e presentes, inclusive "para a obra do Senhor". Deus não precisa de barganhas de políticos e a Palavra de Deus é dura contra aqueles que se deixam subornar e vender (Ex.23:8; IICr.19:7; Jó 15:34; Sl.26:9-12). Como é triste verificar que muitos crentes e, porque não dizer, ministros, apóiam este ou aquele candidato, em troca de favores e vantagens pessoais ou para "a obra de Deus". Só no fato de ter havido oferta ou pedido de presentes, está havendo compra de votos, que, pela atual legislação brasileira, é apenado com a própria cassação da candidatura ou do mandato conquistado (lei 9.840/1997) e um abominação aos olhos do Senhor. Fujamos disto e jamais votemos nestas pessoas !
- Além de fiscalizar as autoridades, os cristãos devem sempre buscar cooperar com elas, de forma a contribuir para que se atinja o bem comum, que se cumpram as promessas realizadas e que haja a melhoria das condições de vida da população. Neste ponto entendemos que a u626326995_igrej tem sido extremamente falha, nem sequer cumprindo com o seu dever bíblico de interceder pelas autoridades em suas orações (Ed.6:9; Jr.29:7; I Tm.2:1,2). É dever de todo cristão e dos ministros, em especial, estar à disposição das autoridades para contribuir nas tarefas de bem-estar e de implementação das políticas e programas que sejam benéficos para o povo, bem como para aconselhamentos e pareceres a respeito de decisões que devem ser tomadas, aconselhamentos e decisões que devem ser feitos sempre à luz da Palavra de Deus. Como luzes do mundo, devemos impedir que as autoridades fiquem obscurecidas pelo deus deste século(II Co.4:4), como fizeram Paulo e Barnabé em relação ao procônsul Sérgio Paulo(At.13:6-12).

e) Ser candidato a cargo eletivo - O cristão, como qualquer cidadão, pode, também, ser candidato a cargo eletivo, sendo até desejável que os governantes sejam sinceros e fiéis servos do Senhor, pois, como a história de Israel mostra-nos, sempre que há um governante temente a Deus, há prosperidade para a nação, pois o governante, orientado pelo Espírito de Deus, age com sabedoria, justiça e retidão. Não tem respaldo bíblico a conduta de certas denominações evangélicas que proíbem a seus membros a atividade político-partidária, até porque, segundo a lei brasileira, impossível que alguém possa ser eleito se não estiver filiado a um partido político (artigo 14, § 3º, inciso V da Constituição da República). A Bíblia está repleta de exemplos de homens fiéis que foram usados por Deus exatamente no governo de povos e nações, como é o caso de Davi, de Daniel (o único estadista da história humana a ter servido a três impérios distintos) e do procônsul Sérgio Paulo(At.13:7,12).

- Embora todos sejamos cidadãos, entendemos que os ministros e os que cooperam ativamente na casa e na obra do Senhor (oficiais, cooperadores, dirigentes de segmentos da u626326995_igrej) não podem ser candidatos a qualquer cargo eletivo, a menos que renunciem à função que exerça. Com efeito, a u626326995_igrej, enquanto instituição humana (u626326995_igrej local) e divina (u626326995_igrej, povo de Deus) é incompatível com a atividade político-partidária. A u626326995_igrej prega a todos os homens(Mc.16:15), quer ser aceita por todos os homens(I Co.9:19-22), quer que todos os homens cheguem ao conhecimento da verdade(I Tm.2:3,4). Ora, nesta sua função totalizante, não pode jamais a u626326995_igrej se envolver na atividade político-partidária, que é uma atividade de parte, como diz o próprio nome "partido", que defende o interesse de alguns, que busca prevalecer sobre outros. Esta é uma atividade totalmente contrária ao propósito da u626326995_igrej e a u626326995_igrej é representada, aos olhos da sociedade, enquanto instituição, por aqueles que a presidem, que trabalham, por chamado de Cristo, para o aperfeiçoamento dos santos.

- Ora, se estas pessoas exercem estas funções por chamado de Cristo, enquanto cidadãos dos céus devem obedecer mais a Deus do que aos homens e, por isso, devem se abster de exercer qualquer atividade político-partidária, precisamente porque não é este o seu dom. É interessante notar que, na organização de Israel, Deus deixou bem distintas as atividades dos governantes e dos sacerdotes, jamais permitindo que houvesse confusão neste particular. Todos os exemplos de pessoas que procuraram, de alguma forma, confundir as duas atividades, tiveram más conseqüências em suas vidas, como se pode observar nas vidas de Samuel(I Sm.8:1-4), Saul (ISm.13:8-14) e Uzias (II Cr.26:16-21).

CONCLUSÃO

A u626326995_igrej deve atuar politicamente na sociedade, mas uma política totalizante, que busque defender a justiça e a retidão, segundo os preceitos do Evangelho, em todas as ações, programas e idéias que surgirem, a fim de que, seguindo a Palavra de Deus, possa a sociedade melhorar e ter condições de vida cada vez melhores, pois só a bênção de Deus enriquece e não acrescenta dores(Pv.10:22). A u626326995_igrej deve defender, com vigor, a observância da Palavra de Deus e denunciar toda e qualquer medida que contrarie a vontade de Deus. Ser uma voz que clama no deserto e que procure aplainar o caminho do Senhor no meio de uma geração perversa e iluminar os governantes para que cheguem ao conhecimento da verdade(Is.40:1-5; At.2:40;13:8-11). Com respeito e obediência, a u626326995_igrej deve, sempre, mostrar aos governantes onde está a verdade e o que Deus deles requer. É esta a atuação política que deve ter a u626326995_igrej, um outro prisma de sua pregação evangélica, que nada tem a ver com partidos políticos ou com interesses pessoais ou de segmentos da sociedade.
Devemos, pois, de forma vigorosa, trazer esta consciência da dupla cidadania a cada cristão que, então, além de ser um eleitor consciente, fiscalizador e sábio, poderá até ser, se não estiver envolvido com a liderança da u626326995_igrej, um candidato e um governante exemplares, mas sobretudo, teremos u626326995_igrejs que contribuirão com os governantes para que haja paz, quietude e sossego no meio de nova brava gente brasileira. Que, com nossas atitudes de cidadãos dos céus e da terra conscientes.