Pregações

O CRISTÃO E A POLÍTICA 1





Doutrina Agamenom Pr.Elimas Gedeon Nc48498 Provérbios 28.12 19052016 Art: anônimo

INTRODUÇÃO

O cristão, ao aceitar a Cristo, torna-se cidadão dos céus, com direito a morar na santa cidade, na Jerusalém celestial. Entretanto, enquanto Jesus não vem, continua vivendo no mundo e, enquanto aqui está, é um cidadão da terra e, como tal, inevitavelmente, acaba se inserindo no contexto político.

- Muito se tem falado sobre o crente e a política, havendo desde posições que consideram o envolvimento do cristão com a política como o próprio desvio espiritual até posições que imiscuem, sem qualquer cerimônia, as u626326995_igrejs locais em embates político-partidários. Nem uma nem outra posição encontram qualquer respaldo bíblico e busquemos ver qual o posicionamento bíblico a respeito do assunto.

- A política é algo que está presente em qualquer grupo humano. O próprio Deus, quando criou o homem, afirmou que ele deveria dominar sobre o restante da criação(Gn.1:26), bem como, no jardim onde o colocou, disse que ele deveria guardá-lo(Gn.2:15), numa clara demonstração que a natureza humana envolvia o exercício do poder, conseqüência do próprio livre-arbítrio de que ele era dotado. Ora, toda relação de poder é uma relação política e, neste sentido, certíssimo estava Aristóteles, o grande filósofo grego, ao afirmar que o homem é um animal político.

- Após o dilúvio, Deus renovou o pacto com o gênero humano e nele foi mantido o papel de domínio e de poder sobre o restante da criação(Gn.9:2), ainda que bem demonstrada a limitação da autoridade humana, como vimos na lição sobre a pena de morte(Gn.9:5,6). Não tardou muito e surgiu o primeiro grande dominador do povo (Ninrode -Gn.10:8,9) e o governo humano apresentou-se desafiador contra Deus, a ponto de o Senhor ter destruído aquela comunidade política única por meio do juízo de Babel(Gn.11:7-9). Bem se vê, portanto, que a existência de governo, de poder, de domínio, de política não é algo contrário à ordenação divina, mas, sim, seu mau exercício.

- Deus, então, diante do fracasso da comunidade política única, resolve formar uma nação e Seu projeto inicia-se com a chamada de Abrão(Gn.12:2). Esta nação, que seria Israel, não deixou de ser uma nação em que existiram governo e relações de poder. Ainda que o projeto primitivo de Deus tenha sido o de, pessoalmente, reinar sobre osisraelitas (Ex.19:5,6; ISm.8:7), jamais deixou de existir um governo que fizesse cumprir as leis (Ex.18:14-26;22:9; Nm.1:4-16;Jz.2:16-19).

- Quando o povo de Israel quis ter uma estrutura política semelhante aos dos demais povos, Deus lho concedeu, tendo, então sido criada a monarquia, com o governo sendo dirigido por um rei, segundo regras que já haviam sido estabelecidas por Moisés(Dt.17:14-20), renovadas por Samuel (ISm.8:9-22). Até o cativeiro da Babilônia, no reino do sul, os israelitas foram governados por reis e, depois, estiveram sob domínio estrangeiro até a destruição de Jerusalém no ano 70, salvo o pequeno intervalo, no período intertestamentário, em que tiveram independência e foram governados pela dinastia dos Asmoneus.

- Jesus jamais se indispôs contra a instituição do governo e, observemos, nos seus dias, os judeus estavam sob o impiedoso governo romano. Instigado pelos fariseus, afirmou que devemos dar a Deus o que é de Deus e a César (que nada mais é que o Estado, que o governo humano), o que é de César(Mt.22:21), uma afirmação que o historiador francês Fustel de Coulanges que, em seu livro A Cidade Antiga, entende ser o término da Antigüidade, onde, sempre, o poder humano fora considerado indissoluvelmente ligado à religião e à divindade. Por causa disto, os cristãos seriam perseguidos pelo Império Romano, pois, embora reconhecendo a autoridade das instituições romanas(Rm.13:1-7; IPe.2:13-17), jamais admitiram que ela fosse divinizada.

- Na própria u626326995_igrej, foi instituído o governo humano (Rm.12:4-8;Ef.4:11-16; IPe.5:1-4), governo, igualmente, necessário mas limitado, inteiramente submisso à vontade de Deus.

- Por isso, manifestações como as do anarquismo (doutrina que é contrária a qualquer espécie de governo ou de poder) são inteiramente contrárias à vontade de Deus e devem ser evitadas e combatidas pelos sinceros servos do Senhor.

I. O CRISTÃO COMO CIDADÃO DOS CÉUS

- O cristão, quando aceita a Jesus, passa a ter uma nova cidadania, pois, como dizem as Escrituras, passa a ser filho de Deus(Jo.1:14; Rm.8:16,17). Deste modo, Deus passa a ser o seu Senhor e, por isso, temos um propósito primeiro em nossas vidas que é o de obedecermos a Deus e de sermos, com nossas ações, instrumentos da glorificação de Deus no mundo(At.5:29; Mt.5:13-16). Deste modo, seu objetivo é aguardar a chamada para habitar na Jerusalém celestial(Fp.3:20). Por termos esta cidadania (Ef.2:19), passamos a ser verdadeiros embaixadores deste reino celestial(II Co.5:20), um reino que é diferente dos deste mundo(Jo.18:36).

- O fato de sermos cidadãos dos céus, faz com que tenhamos direitos e deveres perante Deus, pois cidadão é aquele dotado de direitos e de deveres (mormente na época em que os textos bíblicos foram escritos, onde nem todo ser humano era cidadão, já que os escravos e servos direito algum possuíam). Em razão disto, como afirmam os textos aludidos no item anterior, temos de ter um viver honesto, um testemunho irrepreensível diante dos demais homens, pois somos os anunciadores da vida eterna em Cristo. É por isso que a Bíblia fala-nos sempre que o verdadeiro cristão é um cidadão exemplar na terra(Sl.15; Gl.5:21,22;Rm.13:3,4; IPe.2:13-16).

- Assim, ao contrário do que muitos dizem, o cristão, por ser um cidadão dos céus, é um exemplar cidadão na terra, sem que seja submisso incondicional das autoridades constituídas. Aliás, num certo sentido, sempre serão vistos, pelos governantes ímpios e iníquos, como perturbadores da ordem injusta(I Rs.18:17,18), porque serão vozes vigorosas, menos com palavras e muito mais com obras, da justiça e da retidão.